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" Beleza é o resultado de uma
interferência, ou não, de um conjunto ou de um só objeto que se encontra em equilíbrio
e harmonia. Nem mais, nem menos. Algo simples de compreender. Por um bom arquétipo de
beleza gosto de citar qualquer obra ou paisagem natural que inspira e irradia a
Harmonia."
Angelina Wittmann |
"A inspiração
é o resultado do estado de equilíbrio e sintonia da alma", diz Angelina
Wittmann.
"É o templo do templo",
com os olhos brilhantes de quem é apaixonada pelo ofício, Angelina Wittmann define dessa
forma a arquitetura, que aprendeu a amar muito antes do momento em que se formou na
Universidade Regional de Blumenau, em 1996.
Com um currículo rico e dedicado desde que chegou em
Blumenau, em 1981, Angelina inteirou-se com a cidade e com seus principais movimentos de
preservação da memória arquitetônica e urbanística, entre outras iniciativas, atuando
como Conselheira no Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano - IPPUB.
Autora do Livro, "A Estrada de Ferro no Vale do Itajaí",
pela Edifurb, Angelina propõe, por exemplo, o resgate do trecho ferroviário entre
Blumenau e Warnow, e enumera diversos benefícios que essa conquista traria. "A
memória é a identidade e o diferencial de um povo, de uma família, de um ser, de uma
empresa, de um negócio, de uma idéia".
Mas não é só isso. Angelina é autora de diversos projetos de lojas comerciais em
Blumenau, como a Casa do Vinho, Loja Meninos e Meninas e, recentemente, o Restaurante Casa
Velha.
Na arquitetura residencial, são diversos os projetos assinados na região. Para Angelina,
beleza é algo simples de compreender. "Por um bom arquétipo de beleza gosto de
citar qualquer obra ou paisagem natural que inspira e irradia a harmonia".
Nessa entrevista exclusiva para o jornalista Manoel Fernandes, Angelina fala sobre a vida, arquitetura, projetos,
memória e a real inspiração do Ser.

Reconhecimento - Da
vida acadêmica para o mercado; uma carreira de êxito e de competentes projetos de
arquitetura. |
Qual o significado da
arquitetura em sua vida?
Angelina - Arquitetura, na minha concepção, é um prosseguimento do aprendizado
de convivência com homens, mulheres, crianças e idosos; uma real seqüência daquilo que
sempre acreditei: que é possível existir uma perspectiva de oportunidade para a
promoção e interação do ser humano. E isso veio de encontro com minhas aspirações
mais íntimas, pois amo as pessoas e os espaços que vivem, dentro de suas buscas
pessoais, de seus anseios, sonhos e projetos.
Arquitetura, na minha visão, é a permissão oficial para a interferência, silenciosa e
sutil, por meio da linguagem espacial, que são as cores, as texturas, os volumes e até
mesmo os vazios. Desejo e procuro essa troca de idéias, palavras, conhecimentos, matizes.
Essa é minha busca incessante e pessoal, por meio do espaço trabalhado e interferido;
colaborar, de fato, para o bem estar de quem ali viverá e visitará, e deste com o todo.
Além disso, Arquitetura é a oportunidade de doar-me em muitos aspectos. O espaço é um
fator a ser trabalhado em muitos quesitos relacionados ao homem e suas várias
interações com o meio. É a realidade do contexto do bem viver e conviver. É o templo
do templo. Uma ferramenta maior, para algo que transcende.

Em ação - Seja na
mesa de projeto, seja na obra, seja em visitas a empresas, uma
profissional de múltiplas
facetas. Na foto, em visita ao polo tecnológico da CINEX-RS. |
Atualmente, com a
ocupação indiscriminada das grandes cidades, como a arquitetura pode estar colaborando
na concepção de espaços urbanos mais fraternos?
Angelina - Ela deve enaltecer os espaços dentro das prioridades inerentes ao
homem; espaços para fazê-lo sentir parte de algo maior e irmanados uns aos outros. Faz
parte do conhecimento da humanidade, através dos tempos, que as cores, formas,
distâncias, enfim, esses sentimentos aparentemente subjetivos, têm uma influência
direta na psique do ser humano. Dessa forma e, inevitavelmente, para a busca da
felicidade, o crescimento das cidades deve ser monitorado e planejado; com previsão e
organização de espaços para todas as suas atividades, tais como produzir, trabalhar,
orar, lazer, comungando o homem com o meio de uma forma respeitável e sagrada.
Memória e história: o que esses valores representam para você?
Angelina - A memória e a história são referenciais inerentes ao espaço no qual
vivemos e construímos. Para estruturarmos uma idéia, como em projeto comercial ou
residencial, necessitamos de lastro e fundamentação consistentes. Racionalmente,
precisamos compreender a origem, assimilar sua trajetória, compreender seu estágio
atual. A memória é a identidade e o diferencial de um povo, de uma família, de um ser,
de uma empresa, de um negócio, de uma idéia. Ali estão suas características e seus
referenciais dentro de sua busca como Elemento participativo do Universo. O compromisso de
um arquiteto com esta memória é de uma ética imutável.
O que é beleza para você?
Angelina - Beleza é o resultado de uma interferência, ou não, de um conjunto ou
de um só objeto que se encontra em equilíbrio e harmonia. Nem mais, nem menos. Algo
simples de compreender. Por um bom arquétipo de beleza gosto de citar qualquer obra ou
paisagem natural que inspira e irradia a Harmonia.
De onde vem a sua inspiração quando você está criando?
Angelina - A inspiração é o resultado do estado de equilíbrio e sintonia da
alma. Pode variar muito, mas acredito que é muito fácil ter um resultado positivo quando
me encontro em sintonia com o Todo, com o Cosmo e com as pessoas as quais tenho a
intenção de oferecer alegrias, por meio das interferências de minhas sugestões.
Espaços residenciais e comerciais: o que ninguém pode jamais esquecer nestes dois
itens no tocante à suas concepções?
Angelina - Nos espaços residenciais podemos citar a busca do espaço natural,
através das aberturas, orientação solar, cores e acessos. Já nos espaços comerciais
temos que observar o fluir das pessoas dentro dos ambientes, o fluxo, e a energia com
essas pessoas. Setorizar a diversas atividades.
O que existe em comum, na sua opinião pessoal, entre a estética arquitetônica Grega
e o improviso inspirado de uma casa de uma família camponesa?
Angelina - Essa é uma questão interessante, pois a analogia é grande. Ao meu
ver, o principal é o gosto e a preferência pelo convívio ao ar livre, contato com a
paisagem natural e a arquitetura com grandes espaços abertos e livres. O povo que
habitava a Grécia clássica, passava a maior parte do tempo ao ar livre. O agricultor
Grego, nos campos, vinhedos e olivais. Os artesões fazendo objetos e cerâmicas, ou
confeccionando peças de ferros em suas bigornas nos pátios abertos. No momento de lazer,
os Gregos se reuniam na praça do mercado, nas barracas de comidas e lá discutiam
filosofia, política; a arquitetura priorizava o espaço aberto, com pátios internos em
suas casas, praças e templos. O Grego vivia, como a família camponesa, em contato direto
com a natureza, com espaços livres.
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